Não sou bom nisso, mas vou tentar explicar:

Redes sociais só funcionam para disseminação de ideias e até mesmo do ponto de vista mercadológico se você pagar.

Os algoritmos implementados e sofisticados (principalmente a partir de 2013) pelas principais plataformas “cercaram os campos” não só para a criatividade nas redes, mas para a livre circulação de ideias.

É ilusão pensar que nas redes sociais digitais há livre circulação de ideias e que todos têm os mesmos instrumentos para disseminá-las, em igualdade. Essa ideia de redes sociais como território livre e igualitário tem que ser inserido antes da mediação algorítmica.

Os intermediários que antes eram os grandes meios de comunicação hoje são as empresas de redes sociais e seus algoritmos. Como no Capitalismo quem ganha é quem faz a intermediação, não é de se admirar que essas empresas sejam hoje as maiores do mercado.

Essa questão da mediação e da circulação de ideias submetidas aos ditames algorítmicos dessas empresas e o favorecimento do poder econômico do “quem tem mais, chega a mais gente” foi agravado no Brasil do ponto de vista eleitoral quando se colocou a proibição de impulsionamento pago fora das plataformas comerciais.

Isso, implementado devido ao forte lobby das plataformas, foi decisivo para o cenário que temos hoje, onde se têm a ilusão que somos livres para falar, mas não se vê com tanta clareza que as barreiras levantadas dificultam ainda mais, num quadro de abundância informativa, as chances de sermos ouvidos.

Há que se atentar para que, no cenário político, submeter a igualdade ao poder econômico desequilibra o jogo. O que deveria ser feito era a proibição total de impulsionamentos pagos, dentro ou fora das plataformas, para que se tornasse mais difícil - mas não impossível - o desequilíbrio informativo baseado no poderio econômico.

Quem aposta hoje nas redes sociais digitais como canal único para a disseminação de ideias está apostando errado. Existem, outrossim, atalhos por onde os algoritmos não alcançam ou alcançam de forma diversa aos das redes sociais stricto sensu. É o caso da dinâmica das redes opacas ou mensageiros instantâneos, que têm outra lógica na mediação, pelo menos nesse quadrante histórico.

Mas isso é papo para mais um textão.